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O RD Summit é mesmo um evento de marketing?

Por Fernanda Nascimento
 
Há um mês 8000 pessoas estiveram reunidas em Florianópolis para o RD Summit, o maior evento de marketing da América Latina. Minha estreia, nunca havia participado e, para falar a verdade, não entendia muito bem a empolgação que tomou conta da minha timeline nas duas últimas edições. Eram tantos posts, tantos compartilhamentos que eu ficava um pouco em dúvida sobre o quanto tinha de festa e o quanto tinha de conteúdo profissional em tudo aquilo.
 

Mas esse ano, através da RME, fui convidada a compartilhar minha experiência com Social Selling em um auditório lotado, com 1300 lugares. Uma experiência que marca a vida da gente, que nos faz refletir sobre tudo o que está construindo e, como poucas vezes na minha carreira, fiquei muito tensa antes de uma palestra: o que eu falaria teria que fazer sentido para uma multidão. Acreditem, eu olhava de cima do palco e eram muitas as pessoas que escolheram estar ali, prestigiando o que eu tinha para contar. Como não ser muito especial?
 

Para que eu possa continuar esse relato, tenho que fazer parênteses voltar 2 anos no tempo e falar sobre as contas que eu fiz sobre o número de palestrantes mulheres nesse mesmo evento, em 2015. Eu lembro que na primeira divulgação, meses antes do evento, a contagem era pouco mais de 10%. Lembro também do papo que a Ana Fontes e eu tivemos sobre esse episódio: há muitas mulheres em marketing. Seria possível que não houvesse representantes femininas para dividir seu conhecimento com esse público enorme, com vontade de aprender? E ali começou uma parceria da RME com a Resultados Digitais para que esse cenário mudasse.
 

Voltando para a edição de 2017, a minha compreensão é que o RD Summit não é um evento sobre marketing digital, mas um evento de empoderamento. Palavra batida, eu sei, mas que fez muito sentido para mim em três episódios que quero dividir com vocês:
 

LINE UP MUITO MAIS EQUILIBRADA
 

Muitas palestrantes eram mulheres, 32% pelas minhas contas. Algumas já minhas conhecidas desse mundão digital, pessoas que encontro nas escolas, nas premiações, em outros grandes eventos. Profissionais com histórias, cases, experiência para contar. Outras conheci no evento e muitas me encantaram. Foi rico, foi intenso, assim como muitas apresentações dos palestrantes masculinos. Mas sabe qual o reflexo importante nisso tudo? Além de, em um
cenário brasileiro de desigualdade extrema, em que apenas 13% dos cargos executivos são ocupados por mulheres, ter uma representante feminina no palco mostra às tantas outras que estão na plateia que elas podem: o sucesso é de todos, os bons resultados são de todos e, se preparando e trabalhando, em condições de igualdade, podemos chegar lá e ter reconhecimento.
 

Permitir que as mulheres acreditem é o maior legado desse trabalho de equidade de gênero entre os palestrantes e precisa ser – SIM – um ponto de atenção entre os organizadores de eventos.
 

PAINEL SOBRE DIVERSIDADE
 

O painel sobre diversidade nas empresas, moderado por Flavia Kotzias, foi o momento mais forte para mim. Sou mulher, mas branca, hétero, sem deficiências físicas e tive condições diferenciadas da maioria da população, tenho consciência disso. Por mais que eu tenha enfrentado preconceitos e que algumas vezes, na minha carreira, ser mulher tenha trazido obstáculos ou prejuízos, a deficiência física, a raça, a orientação sexual podem ser algo quase intransponível ao longo de uma carreira profissional. Veja bem, se você não atende a nenhuma dessas características, provavelmente terá mais dificuldade para compreender o que significa, eu mesma tinha. Mas sentada na audiência durante esse painel, entendi o quanto aquela discussão, em que estavam Ana Fontes, Patrícia de Jesus, Vinicius Schmidt e Fabio Mariano, fazia sentido para quem vivia na pele o preconceito e a falta de oportunidade imposta por limites absolutamente (ou meramente?) sociais. Sobre os palestrantes e a discussão brilhantes, nem vou discorrer, é meio que chover no molhado. Mas olhar para a plateia, atenta, que muitas vezes suspirava nos exemplos e pelos depoimentos compartilhados pelos ouvintes, que vivência sem preço!
 

Aquela discussão precisava estar ali, ela pertencia àquele lugar, ela pertence a todos os lugares. E um evento de tamanho porte aceitar o desafio de trazer uma conversa como essa e apoiar os movimentos que com muita luta e muita resistência são empunhados por quem faz parte dos movimentos de diversidade, é louvável. É exatamente o que precisamos: de holofote, de foco no que precisa ser mudado, de força para que efetivamente tenhamos um
país melhor para nossos filhos e netos, senão o conseguirmos mudar para nós mesmos. E, de novo, para quem se sentiu representado através desse painel, tenha a certeza que o evento trouxe coragem para seguir em frente e acreditar que pode o mundo ser muito melhor.
 

AS PESSOAS VÃO AO RD SUMMIT PARA FAZER A DIFERENÇA
 

O último ponto que me chamou muito a atenção eu só compreendi quando estava de volta a São Paulo. Sempre que ministro uma palestra recebo muitas mensagens inbox me perguntando sobre o trabalho da Stratlab, pedindo reuniões para que possamos evoluir uma parceria e comentando sobre o quanto estão aplicando o que aprenderam no dia a dia. Mas no caso do RD Summit foi diferente. Pelo tamanho da minha audiência, recebi muitas, muitas
mensagens – que gostoso foi esse pós evento! Mas um detalhe me chamou muito a atenção: o tanto de profissionais que me contaram que através do conteúdo que compartilhei voltaram para suas empresas e colocaram os ensinamentos em prática, representaram mais de 80% das mensagens.
 

Alguns comentavam a reunião com o gestor, outros pediram opinião sobre a apresentação que estavam montando para fazer à diretoria, houve quem relatasse que havia multiplicado em sua empresa os ensinamentos e já estava colocando em prática ações construídas a partir do nosso encontro, no Summit. Uau! As pessoas mais uma vez aprenderam, se encorajaram e levaram para suas empresas mais: soluções, novidades, estratégias, elas definitivamente tinham o que contar. Em um país carente como o nosso, ainda em cenário de crise, com tantas dificuldades, ler que as pessoas estão realizando a partir da capacitação que receberam em um evento é um tremendo ganho. E isso me fez entender que as filas de chopp grátis, a azaração dos mais jovens, a alegria dos happy hours foram bons, mas muito menores do que o legado que o evento deixa. Tem muito profissionalismo em cada detalhe, mas principalmente no propósito.
 

Se eu decidisse escrever aqui sobre o respeito que recebemos dos profissionais da Resultados Digitais, sobre a atenção com todos os detalhes e a grandiosidade desse cuidado com os participantes e palestrantes, deveria dedicar um artigo só para isso. Foi surpreendente, me impressionou.
 

Mas o evento foi tudo isso e muito mais. Só posso agradecer à oportunidade de entender o que significaram esses três pontos principais aqui apresentados e de ter feito parte disso tudo.
Quer saber? Já estou muito ansiosa para saber o que virá na próxima edição. Certamente te encontro por lá.

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