Empreendedorismo feminino: elas querem muito mais que bons negócios

Por Delza Carvalho

meninaHoje as mulheres são a maioria da população brasileira, de acordo com o último senso feito em 2013, e tratando-se do ato de empreender são elas as que mais abrem negócios, como explica uma pesquisa feita pelo Sebrae entre 2002 e 2012.

O número corresponde a 19% no aumento de empreendedoras que surgiram no Brasil nesse período. Entre os homens, o número foi bem menor, apenas 3%. Atualmente as mulheres correspondem a 31% do total de donos de empresas no país.

Os motivos que confirmam os dados estatísticos variam. Desde a necessidade de aumentar a renda da família (já que algumas movimentam seus negócios em paralelo a outro tipo de atividade), passando por escolhas pessoais (como a necessidade de ficar mais perto dos filhos) ou por estarem passando por uma transição de carreira, como consequência da perda de um emprego formal  ou por uma revisão de valores e propósitos.

O fato é que grande parte dessas mulheres que hoje empreendem, quando o fazem, estão buscando muito mais do que simplesmente fazer negócios e transações. O que elas querem é encontrar um sentido maior naquilo que se propõem a fazer, seja por elas mesmas (e isso inclui suas famílias), para a sociedade ou pela natureza.

Elas também não querem empreender sozinhas, buscam apoio nos grupos em rede para divulgar seus negócios, aprimorar seus conhecimentos através de conteúdos e workshops, ampliar o networking e participar de eventos como bazares, feiras e rodadas de negócio promovidas por alguns desses grupos. Além da possibilidade de encontrar clientes ou fornecedores nesses grupos, elas se inspiram e se motivam a seguir com seus propósitos através da construção de relações solidárias, autênticas e verdadeiras com outras mulheres que enfrentam os mesmos desafios.

“Elas reivindicavam um lugar na sociedade, pois não queriam esperar, implorar nem precisar adular para que alguém – a família ou a cultura – lhes concedesse esse lugar.Elas traçavam um círculo. Entravam nele. E diziam: ‘Estou aqui. Se vocês quiserem proximidade, fiquem perto de mim. Se não, afastem-se, porque nós vamos avançar.” Trecho do livro  A ciranda das mulheres sábias, de Clarissa Pinkola Estés, autora de Mulheres que Correm com os Lobos.

A Rede Colméia de Mulheres  surgiu em 2014, e trata-se de uma rede solidária de empreendedorismo feminino com foco em oferecer e divulgar produtos  e serviços sustentáveis que buscam formas saudáveis de produção, valorizando e respeitando a mãe natureza, os ciclos e o sagrado feminino.

Segundo uma das idealizadoras da rede, Marcela Zaroni, a Rede Colméia surgiu de forma espontânea e natural através do movimento Matricaria – guia de ecologia feminina, da percepção de que haviam  muitas mulheres na rede que eram empreendedoras, e precisavam de um espaço de acolhimento para ofertarem seus produtos ou serviços.

“Praticamos  a economia solidária, comprando umas das outras, realizando ações de fortalecimento mútuo e trocas de serviços/produtos. Compartilhamos informações para o empoderamento das mulheres e através de encontros virtuais, promovemos conversas e debates sobre temas para o aprendizado de todas.”, diz Marcela Zaroni.

A rede ainda realiza mensalmente feiras solidárias no Rio de Janeiro onde é possível encontrar uma gama variada de produtos. De cosméticos artesanais naturais a biojóias, de produtos de limpeza naturais a fraldas ecológicas ou slings para carregar bebês, eles tem de tudo.

Se você se identifica com as redes de empreendedorismo feminino, saiba que o Universo conspira a favor dessas mulheres que estão transformando o mundo através de suas ações conscientes, solidárias e cheias de amor.

Caso você já faça parte de alguma, conte aqui pra gente e ajude os outros leitores a encontrarem as suas redes de empreendedorismo também!

Deixe uma resposta